ENTREI PARA O TRÁFICO AOS DEZESSEIS ANOS
Uma agonia dilacera minha mente. Sou uma estatística, um número frio. Quando
cheguei aqui, me sentia muito sozinho. Estava tomado pela tristeza e esperava
encontrar algum conforto.
Não
encontrei. O que vi foram diversas outras pessoas com os corpos tão
estraçalhados quanto o meu. Recebi um número e fui colocado em uma categoria. A
categoria se chamava “Autos de resistência”.
O
dia em que morri era um dia normal no morro. Como queria ter ficado em casa!
Mas eu achava que era esperto demais para ficar em casa. Agora me lembro de
como entrei para o tráfico achando que ia virar alguém.
—
Brota lá na boca — me disseram. — Todo mundo aqui faz isso.
Tinha
dezesseis anos quando peguei o primeiro rádio e fui pro vapor. A adrenalina
parecia liberdade. Parecia poder. Parecia dinheiro no bolso e respeito na rua.
Ninguém me ensinara que aquilo tudo não durava. Ou eu não acreditei.
Não
importa como aconteceu o confronto, eu estava no lugar errado — fazendo um
trabalho que não devia, e em meio a uma grande operação policial. Mas estava
vivendo o que achava que era minha vida, minha escolha. A última coisa de que
me lembro foi o barulho do helicóptero sobrevoando o morro, gritos de “Lombrou,
lombrou! A casa caiu!”, e então o beco virou um inferno de tiros. Ouvi
estampidos. Senti um ardor violento no peito, outro na perna. Tudo ficou torto.
Ouvi meu próprio grito.
De
repente, acordei. Tudo estava em silêncio. Um policial estava de pé ao meu
lado. Vi um socorrista da ambulância. Meu corpo estava estraçalhado. Estava
coberto de sangue, misturado com a lama da viela. Havia cartuchos de bala
espalhados por todo lado. Achava estranho não sentir nada. “Ei, não ponham esse
lençol em cima da minha cabeça. Não posso estar morto. Tenho só dezesseis anos.
Tinha planejado sair do tráfico. Tinha prometido pra minha mãe. Ainda nem vivi.
Não posso estar morto!”
Mais
tarde, fui colocado em uma gaveta. Minha mãe veio me identificar. Por que precisava
me ver desse jeito? Por que eu precisava olhar nos olhos dela enquanto ela
enfrentava o pior calvário da sua vida? Ela veio com o avental de trabalho
ainda amarrado na cintura — nem teve tempo de trocar de roupa. Disse ao
encarregado com a voz que mal saía:
—
É o meu filho. É o meu menino.
O
enterro foi estranho. Vi todos os meus parentes e amigos andarem na direção do
caixão. Eles olharam para mim com os olhos mais tristes que já vi. Alguns dos
meus amigos estavam chorando — os mesmos que me chamaram pra vida que me trouxe
até aqui. Algumas meninas tocavam na minha mão e soluçavam enquanto se
afastavam.
“Por
favor, alguém me acorde! Me tire daqui.” Não posso suportar ver minha mãe
sofrendo tanto. Ela trabalhou tanto pra me criar sozinha. Meu irmão mais novo
está olhando pro caixão sem entender. Ele tem onze anos. Eu era o espelho dele.
Que espelho eu fui. Todo mundo está em transe. Ninguém pode acreditar nisso. Eu
também não posso acreditar.
“Por
favor, não me enterrem! Não estou morto! Tenho muita vida para viver! Quero rir
e correr de novo. Quero ver meu irmão crescer. Quero uma chance de sair do
morro por conta própria, com dignidade. Por favor, não me ponham no chão!
Prometo que se o Senhor me der só mais uma chance, Deus, vou ser diferente. Vou
achar outro caminho. Tudo o que quero é mais uma chance. Por favor, Deus, eu
tenho só dezesseis anos.”
VERSÍCULOS BÍBLICOS PARA SUA REFLEXÃO:
“Como é feliz aquele que não segue o conselho dos
ímpios, não imita a conduta dos pecadores, nem se assenta na roda dos
zombadores!” – Salmos 1:1
“Disse-lhe Jesus: ‘Guarde a espada! Pois todos os que
empunham a espada, pela espada morrerão.’” – Mateus 26:52
“Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o
que o homem semear, isso também colherá.” – Gálatas 6:7
“Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não
despreze o ensino de sua mãe. Eles serão um enfeite para a sua cabeça, um
adorno para o seu pescoço. Meu filho, se os maus tentarem seduzi-lo, não ceda!”
– Provérbios 1:8-10
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo
para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” – 1 João 1:9
“Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que
os seus pecados sejam cancelados, para que venham tempos de descanso da parte
do Senhor [...]” – Atos 3:19,20a
“Arrependam-se! Desviem-se de todos os seus males,
para que o pecado não cause a queda de vocês. Livrem-se de todos os males que
vocês cometeram, e busquem um coração novo e um espírito novo. Por que deveriam
morrer, ó nação de Israel? Pois não me agrada a morte de ninguém; palavra do
Soberano Senhor. Arrependam-se e vivam!” – Ezequiel 18:30-32
UM CONVITE À VIDA
Jovem, este relato não precisa ser o seu. O
crime faz promessas de poder e dinheiro, mas só entrega duas coisas: a prisão
ou o cemitério. Não espere chegar ao ponto onde o arrependimento é apenas um
grito no vazio.
Deus oferece a você uma saída agora mesmo.
Como diz a Palavra em Atos 3:19-20: "Arrependam-se, pois, e
voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados, para que venham
tempos de descanso da parte do Senhor".
Busque um novo caminho. Honre o esforço de
quem ama você. Escolha viver com dignidade e deixe que Deus transforme a sua
história enquanto ainda há vida em seus pulmões.





