sábado, 15 de agosto de 2026

Sobre Salvação e Salvadores (O herói ateu)

 


Jaime era um orfãozinho que morava com uma tia velha e maliciosa. Era tão mesquinha que não lhe dava alimento suficiente. Não gostava de cuidar dele. Podia-se ver pelo seu rosto que não amava a Cristo. Jaime dormia num quarto miserável do segundo andar.

Uma noite, enquanto dormiam, a casa se incendiou. Era muito velha, construída de madeira e, por isso, queimava rapidamente, como se fosse palha. O alarme soou na vila. Pouco depois, alguns homens com estopas molhadas e baldes de água corriam no local, fazendo todo possível para apagar o fogo. Enquanto trabalhavam arduamente para vencer as chamas, ouviu-se o grito de um menino atemorizado e chamar: "Socorro!", vindo da janela do quarto do segundo andar. Erguendo os olhos, viram Jaime na janela, mas ninguém estava pronto para arriscar a vida para salvá-lo. Aquele que tentasse, poderia ser queimado severamente, e talvez ser levado à morte.

Naquela vila, morava um homem ateu. Sempre dizia ao povo que não acreditava em Deus, nem em Jesus Cristo, nem na Bíblia como a palavra de Deus. Quando viu o rosto de Jaime, rapidamente, subiu pelo cano que passava perto da janela. Quando chegou ao nível, estendeu seu braço forte, tirou Jaime das chamas e, aguentando o calor intenso do fogo, levou o menino até o chão.

O ateu sofreu queimaduras nas mãos, mas a tia de Jaime, por causa das terríveis queimaduras que sofrera, morreu. Isso deixou Jaime sem lar, mais uma vez. O povo da vila não podia imaginar o que iria acontecer com ele.

Um pastor levou o garoto a sua casa e disse ao povo que se alguém quisesse adotá-lo que comunicasse.

Entre outros que se interessaram pela adoção, havia um casal chamado Souza. Não tinham filhos em casa e queriam adotar Jaime. Mas, enquanto a Sra. Souza falava com Jaime e pedia que viesse morar sua casa, o ateu apareceu na porta. Depois de entrar, a convite do pastor, explicou-lhe que queria convidar o órfão para morar com ele. O pastor, sabendo que o casal Souza falaria ao menino a respeito de Jesus Cristo e faria todo possível para que Jaime O aceitasse como seu salvador, queria que eles, e não o ateu, adotassem o menino. O ateu falava pouco, mas, enquanto se aproximava de Jaime e da Sra. Souza, começou a descobrir a mão esquerda e tirar as ataduras da mão queimada:

- Não quer vir ser meu filho?

E Jaime, vendo a ferida, correu para homem, abraçou-o e disse:

 - Quero ir com o senhor e ser seu filho, porque sua mão foi queimada em meu favor.

Ninguém podia negar que o salvador do menino era o primeiro a ter direito sobre ele. Assim, o pastor juntou a roupa do garoto e ele foi para a casa do ateu, pois sabia que ele o amava.

Jaime e seu novo pai tiveram tempos maravilhosos juntos, brincavam, pescavam no rio perto da casa, passeavam nas florestas, etc. Nada, entretanto, foi dito a respeito do Senhor Jesus. De fato, nenhuma palavra foi mencionada a respeito de Deus, o Pai. Nenhuma ação de graças foi dada à mesa quando se assentavam para comer.

Um dia, fez-se na vila uma exposição de pinturas. Os quadros foram pendurados na parede do grande salão da prefeitura. Pessoas vieram de longe para apreciar as pinturas maravilhosas e Jaime, com seu foi examinar cada quadros O homem lhe explicou cada uma até chegar perante um quadro especial. Tentou passar despercebido por ele e explicar-lhe o seguinte, mas Jaime ficou preocupado e desejou ver aquela pintura especial. Assim voltou e perguntou:

- Por que estão os cravos nas mãos e pés deste homem? E por que as pessoas estão chorando tanto?

O ateu, reconhecendo que não podia evitar as perguntas do rapaz, replicou:

- Pois bem, eu não creio na história, mas é isto que me contaram acerca do homem neste quadro. Há mais de 2000 anos, uma multidão estava em pé em frente a um grande edifício do governo de Jerusalém, uma cidade na terra da Palestina. Pilotos, o governador, julgava um homem e achava que não era culpado, mas inocente. Levou o homem para fora do palácio e disse: "Não acho culpa nele. Vou castigá-lo ou libertá-lo?" Era costume para o governador daquela época, uma vez por ano, perdoar ou libertar um criminoso: o preso que o povo pedisse. Assim, Pilatos indagou ao povo: "Quem quereis que vos volte? Barrabás ou Jesus, o que se chama Cristo?" E, enfurecida, a multidão clamava: "Crucifica Jesus. Crucifica-O! Crucifica-O! Crucifica-O!"

Pilatos, por causa disso, mandou açoitar Jesus. Os soldados, zombando, colocaram uma coroa de espinhos na cabeça d'Ele, fazendo seu sangue escorrer. Cuspiram-No na face, e deram-Lhe pancadas e varadas. Mas o homem não fez esforço algum para defender-se. Por último, colocaram sobre Seus ombros uma cruz pesada e levaram-No para ser crucificado num lugar chamado calvário. Cravaram Suas mãos pés. Levantaram a cruz e deixaram-no cair num buraco. Por cima da cabeça, escreveram estas palavras: "Este é o rei dos judeus".

Essa, Jaime, é a história, mas não acredito nela.

Assim, pai e filho continuavam a andar, olhando a cada quadro até que chegaram ao ponto por onde tinham começado.

Jaime, intrigado com toda aquela história, pediu ao pai, no caminho para casa, que contasse a história de novo, e outra vez quando estava para se deitar. Antes de o pai deixar seu quarto, a criança disse:

- Papai, as mãos feridas do homem me fazem pensar em suas mãos queimadas e de como o senhor sofreu por mim para me salvar.

O que o menino disse ficou na mente do homem por muito tempo, e ele não conseguiu dormir bem naquela noite. Lembrou-se daquele dia em que ferra à casa do pastor pedir Jaime para si. Imaginava quão terrível teria sido se o menino não desse valor à mão ferida e recusasse tornar-se seu filho. Não aguentava tal pensamento. Feriu-se por ele, arriscou sua vida para salvá-lo e, mesmo assim, Jaime não era forçado e a acompanhá-lo; podia ter escolhido o casal Souza. Quão contente estava ele, porque o menino resolvera tornar-se seu filho. De repente, ficou triste, porque Deus lhe fizera entender que, apesar de o fato de Jesus ser ferido por ele, mesmo crucificado pelos seus pecados, ainda recusava ser um filho de Deus.

Deus lhe trouxe à memória alguns versículos da Bíblia que aprendera quando menino: "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus”; "Cristo sofreu por nós"; “Aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo"; "Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu Seu filho unigênito para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna".

Deus o convenceu de tal maneira de sua incredulidade, que se ajoelhou ao lado da cama e aceitou Cristo como seu salvador. Agora estava alegre. Pouco depois, Jaime também aceitou Jesus e os dois foram feitos filhos de Deus, porque creram em Seu Nome.


Do livro Ilustrações para enriquecer seu discurso, de Celso Nascimento


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