quarta-feira, 15 de julho de 2026

Uma descrição fantasiosa ou não-ortodoxa da Criação

 


Uma descrição fantasiosa (e não-ortodoxa) da Criação

Imagine Deus no céu, cercado pelo coro de anjos que O adoram, cantando hosanas interminavelmente...

"Se Eu criar um mundo perfeito, sei qual será o resultado. Em sua absoluta perfeição, funcionará como uma máquina perfeita, jamais se desviará de Minha vontade absoluta".

Uma vez que a imaginação de Deus é perfeita, não há qualquer necessidade de criar tal universo. Para Ele, é suficiente imaginá-lo para vê-lo em todos os seus detalhes. Tal universo não seria muito interessante, quer para o homem quer para Deus. Por isso, podemos presumir que a Divindade prosseguiu em Suas meditações. "Mas que aconteceria se Eu criasse um universo livre até mesmo de Mim? O que aconteceria se escondesse Minha Divindade de maneira que as criaturas fossem livres para cuidarem de suas próprias vidas, sem ficar amedrontadas por Minha presença onipotente? Será que me amariam?

Posso ser amado por criaturas que não programei para adorarem-Me eternamente? Será que da liberdade pode surgir o amor? Meus anjos Me amam incessantemente, mas podem ver-Me a todo tempo. Que acontecerá se criar seres à Minha própria imagem, seres que sejam livres? Se Eu introduzir liberdade nesse universo, corro risco de também introduzir o mal, pois se forem livres, poderão desviar-se de Minha vontade. Mas o que acontecerá se continuar interagindo com esse universo dinâmico? Eu e as criaturas, juntos, nos tornaremos criadores de uma grande peça cósmica? O que acontecerá se, de cada ocasião de manifestação do mal, Eu reagir com um bem imaginável, um bem que supera totalmente o mal ao se manifestar inesperadamente a partir das próprias tentativas do mal de negar o bem? Essas novas criaturas de liberdade irão amar-Me. Unir-se-ão a Mim para criar o bem a partir do mal? O que acontecerá se unir-Me a elas no mundo de limitação e forma, um mundo de sofrimento e mal?

Ah... Num universo verdadeiramente livre, nem Eu sei como acabará. Será que tenho coragem de assumir esse risco em nome do amor?"

William Irwin Thompson


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