Uma descrição fantasiosa (e não-ortodoxa) da Criação
Imagine
Deus no céu, cercado pelo coro de anjos que O adoram, cantando hosanas
interminavelmente...
"Se
Eu criar um mundo perfeito, sei qual será o resultado. Em sua absoluta
perfeição, funcionará como uma máquina perfeita, jamais se desviará de Minha
vontade absoluta".
Uma
vez que a imaginação de Deus é perfeita, não há qualquer necessidade de criar
tal universo. Para Ele, é suficiente imaginá-lo para vê-lo em todos os seus
detalhes. Tal universo não seria muito interessante, quer para o homem quer
para Deus. Por isso, podemos presumir que a Divindade prosseguiu em Suas
meditações. "Mas que aconteceria se Eu criasse um universo livre até mesmo
de Mim? O que aconteceria se escondesse Minha Divindade de maneira que as
criaturas fossem livres para cuidarem de suas próprias vidas, sem ficar
amedrontadas por Minha presença onipotente? Será que me amariam?
Posso
ser amado por criaturas que não programei para adorarem-Me eternamente? Será
que da liberdade pode surgir o amor? Meus anjos Me amam incessantemente, mas
podem ver-Me a todo tempo. Que acontecerá se criar seres à Minha própria
imagem, seres que sejam livres? Se Eu introduzir liberdade nesse universo,
corro risco de também introduzir o mal, pois se forem livres, poderão
desviar-se de Minha vontade. Mas o que acontecerá se continuar interagindo com
esse universo dinâmico? Eu e as criaturas, juntos, nos tornaremos criadores de
uma grande peça cósmica? O que acontecerá se, de cada ocasião de manifestação
do mal, Eu reagir com um bem imaginável, um bem que supera totalmente o mal ao
se manifestar inesperadamente a partir das próprias tentativas do mal de negar
o bem? Essas novas criaturas de liberdade irão amar-Me. Unir-se-ão a Mim para
criar o bem a partir do mal? O que acontecerá se unir-Me a elas no mundo de
limitação e forma, um mundo de sofrimento e mal?
Ah...
Num universo verdadeiramente livre, nem Eu sei como acabará. Será que tenho
coragem de assumir esse risco em nome do amor?"
William Irwin Thompson

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